sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A vida não te merece


A vida não te merece…
O escuro do palco quer apagar o teu sorriso,
As palmas parecem não chegar
Para devolver um brilho que já não encontras.

A vida não te compreende…
Lutas em vão por uma batalha perdida,
Sonhas um Verão que parece esquecido
Num mar azul algures por aí.

A vida não te vê…
E perde as mais belas cores que nela existem,
Perde a magia e a doçura,
O amor e a ternura,
Prefere as cinzentas que nela fingem…

Levanta-te!
Não estás sozinha
E assim não podes perder.
Agarra-te!
Por mais que tremas
Comigo não podes cair.
Enxuga as lágrimas!
Aproveita o sal e sara as feridas.

A vida testa quem não merece ser testado…
A vida provoca quem não merece ser provocado…
A vida esqueceu-se de quem tu és…
E só se pode arrepender.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Um dia


O tempo pára.
O tempo corre desenfreado.
O tempo é mágico.
O tempo desvanece…

A sala sombria é agora um misto de cores,
Vivas reflectem o azul do céu e o brilho do lago.
Feliz.
O melhor de ti surge
E o melhor de mim renasce,
Contigo a meu lado sempre.

Tiras a máscara e mostras-me o teu mundo.
Revelas-te.
Sorris.
Ris.
És feliz e porque me amas e és amada.

No alto da montanha,
Na brisa gelada a assobiar aos nossos ouvidos
Demos as mãos.
Redescobrimo-nos.

Contigo a meu lado,
Comigo a teu lado
Escrevemos a nossa própria peça.
Sem actores secundários,
Sem guiões nem bastidores.

Um dia é dia contigo
E um dia é agora.

Terceiro Acto


Finalmente sorri...

Da fraqueza fez a força
E na dor aprendeu a lutar.
De branco confiante deslizava.

Finalmente sorria...

De respiração sustida
O público nunca esqueceria aqueles segundos.
Muito mais que uma mulher,
Uma alma,
Um brilho,
As suas lágrimas criavam
O mais doce arco-iris aconchegado nas suas faces...

Era o dom de nos fazer sonhar,
De me fazer sonhar...

E as luzes apagaram-se.

Sem que pudesse reparar encontrava-me só na enorme sala já vazia.
E lá estava ela...
Olhava para mim, eu sentia que sim,
Pela primeira vez tinha a certeza
Que olhava para mim.
Desarmava-me...

Senti que aquele palco será nosso,
Teremos aquele mundo em comum
Num sonho em que seremos apenas um.

Estendeu-me a mão
E ao ouvido sussurrou-me:

"Um dia..."

Segundo Acto


De olhos inchados volta a surpresa da peça,
Abanou a noite como só ela,
Esperando uma resposta
Os corações pararam á espera do seu próximo passo.

Lentamente percorreu todo o cenário,
De olhos no soalho
Um sorriso triste e arrependido
Reflectia no pequeno candeeiro no canto da sala.

Ergueu a cabeça,
Enxugou as lágrimas,
Como que a capa do primeiro acto tivesse caído
A soluçar cantou,
Encantou,
Devolveu a esperança a um público assustado…

Sentou-se,
Aquele olhar senti-o como um carinho,
Uma festa no rosto…
Nada disse.

Surpreendidos ficaram a ouvir o silêncio,
O mais belo texto alguma vez escrito,
Interpretado pela mais bela actriz alguma vez aparecida…

Levanta-se,
Percorre todo o cenário olhando cada um sem olhar ninguém...

Ainda não está pronta…
Surpreendentemente o público espera.

A cortina fecha-se….

Primeiro Acto


A cortina fecha…
O primeiro acto acaba.
Fica no ar a incerteza,
A angústia consome o momento.

Só…
O pano vermelho fixa-me o olhar e
Perco-me…
Descontrolada em palco vi algo que nunca tinha visto,
Descontrolada vagueava pelo cenário
Provocando a angústia de um público apaixonado,

A minha angústia pelo menos…

A cortina fechou sem me aperceber do que se passou…
Ideias, palavras, expressões, fins e começos
Gritavam na minha cabeça!

Não queria que a cortina se fechasse,
Não queria meditar,
Não queria reflectir,
Não queria me deixar a pensar,
Não queria que se tivesse aberto…

Vi no palco o lado desconhecido…
Agora conheço-te por completo
E não sei se queria…

Resta uma pergunta de esperança…
Eras tu?

A cortina abre-se…